CRISTALINO LODGE | Alta Floresta

por: Bruno Teixeira

Preço por pessoa por dia a partir de
chegando em 24/11/2020
saindo em 29/11/2020
em quarto
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INSPEÇÃO DO HOTEL

Local (Cidade /Estado): Alta Floresta – Mato Grosso
Classificação Oficial: Superior Blumar Recomenda: mesmo

Destaques da localização / Desvantagens: O Cristalino está localizada no sul da floresta amazônica, no norte do estado de Mato Grosso, próximo ao município de Alta Floresta. O hotel faz parte de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), com 11399 hectares de terra preservada, 30% maior do que a ilha de Manhattan em Nova Iorque. Da nascente até onde termina no Teles Pires, o rio Cristalino flui apenas através de terras protegidas, indígenas, federais, estaduais ou privadas. O resultado é um ecossistema imaculado onde normalmente se vê apenas os hóspedes do hotel ou cientistas. O isolamento do lodge significa mais horas para chegar lá, mas isso é compensado pela abundância de vida selvagem que testemunhei. As acomodações e áreas comuns foram construídas respeitando a floresta e o terreno, tanto que muitas vezes vi animais cruzando os caminhos. Esta região está longe do rio Amazonas, então não dá para ver o famoso "Encontro das Águas" do rio Negro com o Solimões, como acontece com quem visita os hotéis de floresta perto de Manaus. Porém, o encontro das águas negras do Cristalino com as águas lamacentas do Teles Pires, recria o fenômeno em pequena escala. Ao atravessá-los, o guia me disse para colocar a mão na água para sentir que até a temperatura muda ao atravessar de um rio para outro – o Cristalino é mais frio.



Como chegar/ sair: Chegar lá envolve voos e um traslado por terra e de barco. Apenas a Azul voa para Alta Floresta, um voo por dia de/para Cuiabá. A Azul não tem voos diretos do Rio para Cuiabá, capital do Mato Grosso, então voei Rio – Campinas – Cuiabá – Alta Floresta, saindo às 6h e chegando às 14h. Em Alta Floresta um funcionário uniformizado estava esperando no aeroporto para me levar, junto com outros hóspedes que chegaram no mesmo voo, para o hotel. O traslado compartilhado de ida e volta está incluída na diária. Fomos levados para o Hotel Floresta Amazônica, na própria cidade e pertencente aos mesmos donos do Cristalino, para um pré-check-in. Esta também é a parada para banheiro antes de continuar para o hotel de selva. Seguimos na mesma van, agora só com o motorista, por 30km em sua maior parte por estradas de terra, por isso leva aproximadamente 50min para chegar ao rio Teles Pires. Lá, trocamos para um barco e o outro guia nos recebeu. Esta parte do traslado leva 30min e é a mais bonita, pois você já está na floresta e começa a ver pássaros e jacarés. Por fim, cheguei no Cristalino por volta das 16h. Os traslados de ida e volta são o mesmo trajeto. Na volta, saímos por volta das 10h e chegamos a Alta Floresta às 11h30, no mesmo hotel. Os hóspedes são levados para um restaurante local para almoçar, antes de ir para o aeroporto. O voo Azul parte às 14:25. É possível contratar veículo e barco particular para este traslado, por um custo adicional, mas por ser uma RPPN, não há pista de pouso no lodge, esse trajeto é igual para todos.




Check-in / check-out: O check-in é dividido em duas partes: a primeira é no Hotel Floresta Amazônica, onde você é recebido com uma toalha gelada, água ou suco, para preencher a ficha de informações dos hóspedes. Aqui, eles marcam suas malas para que, ao chegar no Cristalino, elas sigam direto para o quarto. No lodge você é recebido com um suco delicioso e um sanduíche (no dia da chegada, apenas o jantar está incluído). O gerente se senta com os hóspedes que chegam para explicar as regras de segurança e preservação, os horários de refeição e a logística dos passeios diários. Ele também apresentou o guia designado a mim, meu namorado e mais um casal de franceses. Os grupos são separados de acordo com a língua que falam, como eu falo inglês, me ofereci para ficar com os franceses. Cada guia é responsável por até 8 pessoas, mas haviam poucos hóspedes quando eu fui, então fomos separados em três grupos de 4. O guia janta com seu grupo, mas se você quiser um pouco de privacidade, eles podem montar uma mesa separada para o seu quarto. Durante o jantar é quando os guias discutem com seus grupos quais serão as atividades do dia seguinte. Guias privados estão disponíveis por um custo adicional, mas você deve dar ao hotel tempo suficiente para organizar isso, reservando-os com antecedência, já que eles vêm até de Cuiabá. O check-out também é feito em duas partes: no Cristalino, o gerente veio se despedir, me acompanhou para eu verificar se toda a minha bagagem estava no barco, e ainda ganhei um show dos macacos bugios de despedida. No Hotel Floresta Amazônica é onde você paga seu consumo extra – as diárias não incluem bebidas alcóolicas – e preenche o cartão de comentários dos hóspedes. Cartões de crédito são aceitos.






Quartos

Número de quartos: 16
Quantas categorias de quartos: 5 (Bangalô Especial, Bungalô, Bungalô Jr., Quarto Superior e Standard)
Quarto em que fiquei: Superior

Tamanho: tamanhos dos quartos variam de 22 a 79m² espalhados em blocos pela propriedade. Quartos superiores são construídos em um bloco com 2 apartamentos, um de costas para o outro. Possui um excelente espaço, 55m² ,grande o suficiente para uma cama kingsize, 2 poltronas e uma mesa. Cada bloco é cercado por gramado e árvores, dando-lhes um pouco de privacidade. No interior do quarto, a parede da cabeceira atua como um divisor entre a cama e as áreas do banheiro e armário. O teto alto e as janelas cobertas com tela permitem um grande fluxo de ar. Não existem quartos comunicantes, mas alguns bangalôs podem acomodar até 2 adultos e 2 crianças. Os quartos standard foram construídos em blocos de 4 unidades. Eles são mais simples, mesmo assim, ainda são uma boa opção. Já os bangalôs são unidades individuais.

Capacidade máxima para famílias no mesmo quarto / que categoria: No quarto standard, máximo de 3 hóspedes em 3 camas individuais, ou uma de casal e uma individual. Superior, máximo de 2 hóspedes em 2 camas individuais ou uma cama king. Bangalô, no máximo 3 hóspedes em 3 camas individuais, ou uma cama king com outra individual. Bangalô e Bangalô Especial, máximo de 4 hóspedes, sendo uma cama king e 2 sofás-cama individuais para crianças de até 1,75m de altura.




Banheiro / Armário: A pia fica na parte de trás da parede da cabeceira, sobre um grande balcão de madeira. Há muitas prateleiras e área de armazenamento. O banheiro fica em uma câmara privada, separada do chuveiro, que é bastante espaçoso, com água aquecida por painéis solares. Há um segundo chuveiro ao ar livre, em um jardim acessível apenas através do quarto, mas este tem apenas água em temperatura ambiente. Vale ressaltar que todo esgoto é tratado por processos naturais, utilizando filtros e plantas amazônicas. O Bangalô Especial tem uma banheira ao ar livre.

Decoração: Os quartos são muito charmosos, decorados em tons claros, utilizando madeira certificada, móveis de vime e arte brasileira. Foram usados vidro e painéis de tela para deixar a luz natural entrar. Ao redor de cada bloco, o jardim foi feito usando a flora local. Nas categorias superior e acima, os quartos possuem duas poltronas e uma mesa.




Comodidades: cada quarto tem cofre eletrônico, e uma rede na varanda. Os produtos de higiene pessoal são da Granado. Não há telefone ou TV nos quartos. O hotel fornece capas de chuva de plástico para usar nos passeios. Não tem frigobar no quarto, mas os hóspedes têm acesso a castanhas, suco e água no bar principal, a qualquer hora. Como a energia nos quartos é de geração solar, apenas ventiladores de teto estão disponíveis, mas têm eletricidade 24hs. À noite, era bem fresco, e durante o dia, o ventilador era potente o suficiente para proporcionar conforto. As tomadas são de 110V. O edifício principal é alimentado por geradores que funcionam das 7h às 22h. Os mimos que mais me conquistaram foram a garrafa térmica que era reabastecida diariamente com água filtrada que ficava fresquinha, a caixa de castanhas do Pará cobertas de chocolate deixada sobre a cama, e o serviço de quarto atencioso que todos os dias baixava as cortinas das janelas do quarto enquanto os hóspedes estão no jantar. Não há serviço de quarto, mas se um hóspede não estiver se sentindo bem e não puder sair do quarto, ele levam a comida até lá.

Melhor ou pior localização do quarto / piso: Os quartos estão espalhados na propriedade. Os mais próximos do edifício principal são os dois blocos quartos standard. Os superior e bangalôs estão mais distantes, alguns até 500m, para garantir mais privacidade.




Manutenção e limpeza: Os quartos, áreas comuns e jardins eram impecáveis. Eles usam apenas produtos de limpeza biodegradáveis. O lodge está em um ambiente muito complicado, com alta umidade e temperaturas, precisando de cuidado constante. Dito isso, a manutenção estava excelente. Eles têm uma equipe interna que trabalha na conservação enquanto os hóspedes estão fora em passeios. A única área que precisava de mais atenção era o convés flutuante no rio, mas o gerente me disse que eles estavam prestes a começar a reconstruí-lo, pois eles tinham que esperar a alta temporada acabar.

Barulhos: Como é de se esperar, estando no meio da selva, o barulho que ouvi foi de animais. O gerador que alimenta de energia os prédios principais fica tão longe que não dava pra ouví-lo mesmo no restaurante. Como eu fiquei em um quarto superior, eu tinha vizinhos no quarto atrás de mim, mas eu não os ouvia. A quarto standard pode ser mais suscetível a ruídos vizinhos, pois são 4 por unidade, mas os hóspedes tendem a ser respeitosos. Uma italiana que estava em um bangalô disse que acordou com um som alto de motor, mas quando o guia tocou para ela o grito do bugio, que tinha gravado no celular dele, ela descobriu que eram os macacos!




WIFI: Incluído na diária, é via satélite, mas funciona melhor na área do restaurante do que nos quartos.

O hotel é acessível à cadeira de rodas: somente se o hóspede puder entrar/ sair da cadeira de rodas. Há degraus para chegar à área principal do complexo. Embora os banheiros no quarto sejam grandes, eles não são adaptados para cadeiras de rodas, e os hóspedes estarão restritos a fazer apenas os passeios de barco, já que as caminhadas são em terrenos irregulares. A melhor opção seria um cruzeiro fluvial na Amazônia.


Áreas comuns

Lobby: não existe um lobby no modelo tradicional, o lodge é bem informal em como você interage com a equipe. Normalmente, sempre há alguém no bar, se não houver, apenas o toque o sino e o barman vem da cozinha. O complexo principal inclui restaurante, bar, deck com fogueira, sala de leitura com muitos livros sobre a fauna e flora brasileira e sala de apresentações usada para a palestra introdutória, na noite de chegada, e que também está disponível para assistir filmes.

Jardins: O Cristalino foi construído no meio da selva, com gramados bem cuidados entre os prédios e a floresta. Eles povoaram os jardins com árvores frutíferas nativas, então eu vi araras, capivaras, tucanos, macacos e outros pássaros se alimentando das frutas e vagando pelo hotel.

Academia, piscina, spa, clube infantil: Não há academia no hotel, no entanto, você caminha bastante durante vários passeios. Também não tem piscina, mas existe um deck flutuante no rio com espreguiçadeiras, guarda-chuvas e stand-up-paddle para os hóspedes. Sim, eu nadei no rio apesar das piranhas e jacarés! Não tem spa nem clube infantil, embora seja uma opção maravilhosa para viagens em família.




Restaurante / bar: todas as refeições estão incluídas na diária, mas sem bebidas alcoólicas ou refrigerantes. O café da manhã é bem cedo, pois a maioria dos passeios sai às 7h para voltar às 10h30, para evitar o calor do meio-dia e pegar os animais mais ativos, ao amanhecer. O restaurante é arejado, fechado por telas. As refeições são servidas em estilo buffet. Os hóspedes sentam-se com o grupo ao qual foram designados e seu guia. O bar tem uma boa seleção de vinhos e bebidas destiladas. A água engarrafada é livre para ser retirada de um refrigerador, mas eles incentivam o reabastecimento de sua garrafa pessoal no filtro, para evitar a criação de mais lixo. Um suco de frutas está sempre no balcão, com um pote de castanhas mistas.
O almoço é servido ao meio-dia e um lanche é oferecido às 15h30, antes da partida para o passeio da tarde, às 16h. O jantar é servido às 19:30. A comida é principalmente brasileira, com algumas influências internacionais. Eles servem 2 tipos de proteínas por refeição, saladas frescas da própria horta, frutas, pães e bolos caseiros, 3 a 4 acompanhamentos vegetarianos e sobremesas deliciosas, tudo excelente! Fiquei realmente impressionado com a variedade e qualidade, dado o isolamento do hotel. Eles tentam comprar localmente ou cultivar a maior parte do que servem. Todas as manhãs, tínhamos ovos ou tapioca feitos na hora. Uma noite comemos um delicioso tambaqui (peixe grande da Amazônia) grelhado na fogueira. Eu disse à cozinheira - uma senhora simpaticíssima - o quanto gostei do bolo de castanha do Pará com molho de goiabada, e ela fez uma segunda vez na minha última noite lá.


Atividades





Passeios: Como na maioria dos hotéis de selva em locais remotos, os passeios regulares são fornecidos pelo próprio hotel e estão incluídos na diária, com exceção de alguns mais específicos ou quando o cliente quer o tour privativo. Existem várias opções de passeio disponíveis, e o número de dias no Cristalino determinará quais excursões o seu guia recomendará. Se o viajante tiver um interesse especial, como observação de pássaros, borboletas, fotografia, deve informar isso na hora da reserva para que o lodge possa tentar colocar o cliente com um guia que tenha esse conhecimento e com outros hóspedes de interesses semelhantes, mas isso não é garantido e pode ter um custo adicional. É importante mencionar que existem pacotes para observação de pássaros e fotografia, com especialistas, em datas selecionadas do ano, e que têm um custo mais alto. O Cristalino tem muitas trilhas pela reserva que podem durar de 2 a 5 horas, sempre com o guia, e de esforço fácil a intenso. Quais trilhas serão feitas depende do interesse e condicionamento do grupo.




Na primeira noite, tivemos uma palestra introdutória com nosso guia, detalhando a história, os animais, as plantas e as atividades do lodge que estávamos prestes a experimentar. No dia seguinte, pegamos o barco e depois fizemos uma pequena caminhada até uma das torres de observação. Ela tem 50m de altura, equivalente a 16 andares, com alguns decks no meio, para que possamos fazer pausas para descansar e observar as diferentes coberturas das árvores, à medida que subiamos. No ponto mais alto, você está acima da floresta, e esta é uma vista de tirar o fôlego. A essa hora da manhã, a umidade está subindo das árvores para o céu; o tapete verde é envolvido por uma manta de nuvens, se desfazendo lentamente à medida que o sol nasce. Através de binóculos e um telescópio portátil, o guia apontou araras azuis e vermelhas, papagaios, gaviões, outros pequenos pássaros e macacos.




À tarde, seguimos uma trilha na floresta. Passamos por árvores gigantes majestosas como castanha-do-pará, samauma e jequitibá. Para este passeio, nosso barqueiro se juntou a nós e foi uma adição valiosa. Ele cresceu na região, costumava ser caçador e foi convertido em preservacionista graças ao Cristalino Lodge. Quando chegamos à castanheira, ele sacou o facão e quebrou o ouriço, a bola dura e amadeirada onde crescem as castanhas, e deu uma a cada um de nós. Surpreendentemente, a castanha fresca do recém tirada do ouriço lembra muito o sabor do coco. Ele também nos disse que todas as castanhas-do-pará vendidas no mundo são colhidas à mão na floresta, pois essas árvores precisam de um tipo de abelha para polinizar suas flores, encontradas apenas na Amazônia. Continuando, chegamos à um poço de argila onde dezenas de queixadas comiam a argila. Esses porcos selvagens, assim como algumas aves, fazem isso por causa da concentração de sal no solo que também ajuda a eliminar as toxinas encontradas em algumas plantas que comem. Na viagem de baco de volta ao hotel, ao entardecer, nosso guia transformou essa 'traslado' em uma observação de jacarés com lanternas.




Segundo dia, partimos muito cedo para subir uma das colinas. Diferente das planícies mais baixas do rio Amazonas, aqui a geografia é mais montanhosa, resultando em uma maior variedade de vegetação. Esta trilha teve algumas subidas íngremes que exigiram agarrar cordas de proteção anteriormente colocadas ali pelo lodge. A recompensa foi uma visão inspiradora da reserva, um horizonte muito claro e abaixo de nós, um cobertor de nuvens emergindo das árvores. A trilha de retorno serpenteava por terrenos rochosos, cheios de bromélias e belos arbustos floridos, já que a região estava saindo da estação das chuvas. Vimos um grupo de macacos-aranha, cutias, queixadas, sapos minúsculos coloridos e pegadas de uma onça-pintada. No retorno de barco, passamos por dentro da floresta inundada.




No final da tarde, saímos em um caiaque de dois lugares para remar rio abaixo. O rio Cristalino é ideal para esta atividade nesta época do ano, a vazante, porque o nível da água ainda é alto e você desliza sem dificuldade. Como essa não é uma rota entre comunidades, e é ilegal pescar no Cristalino, não vi nenhum outro barco além daquele que estava nos seguindo, por segurança. Este barco mantinha uma boa distância para apreciarmos o silêncio que era quebrado apenas pelo som dos animais da floresta. Vimos inúmeros pássaros e um grupo de lontras. Ao final, passamos para o barco para voltar pro lodge, com uma breve parada para admirar o pôr do sol e observar um bando de pássaros voando sobre o rio e indo se abrigar nas árvores.




O último passeio que tivemos foi para a segunda torre de observação. Desta vez partimos às 5 da manhã, ainda escuro, para pegar o sol nascendo de cima. Como esse era o dia da nossa partida, tinha que ser cedo e fácil de ir e voltar, então o guia escolheu essa atividade porque a trilha para essa torre começa ao lado do restaurante. Que espetáculo! Foi a despedida perfeita desse lugar tão especial.




Além disso tudo, apesar de não ser um passeio, esse evento foi tão incrivelmente interessante e incomum que não posso deixar de mencioná-lo. Uma noite, enquanto jantávamos, um dos guias gritou para que viéssemos ver uma cobra jibóia amarela pendurada em uma das vigas do lado de fora do telhado do restaurante. Ela havia acabado de pegar um morcego e estava lentamente engolindo ele. O hotel tem um telescópio neste no deck do bar para que pudéssemos olhar as estrelas e a lua. Também fizemos uma curta caminhada noturna pelo lodge, onde vimos sapos e grandes tarântulas!




Tipo / condição do veículo: viajamos na van e nos barcos do lodge, todos mantidos em boas condições. Eles sempre tinham água em um refrigerador. Os barcos têm uma cobertura removível, em caso de chuva, mas são abertos nas laterais, portanto, em caso de chuva, esteja pronto para se molhar.

Avaliação do guia: Conversei com dois guias, um que eu conhecia de uma viagem de inspeção anterior a um lodge no Pantanal, ele estava no Cristalino há 4 meses, e o meu guia, que foi muito bom. Ele falou bem, sabia o nome dos animais e pássaros 9não é fácil identificar e lembrar o nome de tantas aves) e acrescentou histórias pessoais ao discurso educacional dos passeios. Ele era especialmente bom em avistar pássaros. Cristalino é bastante meticuloso ao selecionar e treinar seus guias, a maioria deles são biólogos ou de outro campo ambiental. Eles separam os grupos por idioma para não terem que ficar falando em dois idiomas em um mesmo grupo.






O Destino

A cidade: Alta Floresta é uma cidade muito pequena, com 50.000 habitantes, que surgiu nos anos 70, viu um aumento na população durante os anos 80 devido a uma corrida do ouro, e hoje sua economia é baseada na agricultura. A única atração da cidade é a floresta amazônica. Visita turística aqui é para pesca esportiva ou ecoturismo. O único tempo que tivemos na cidade foi entre a transferência de volta do alojamento até a hora do vôo. Disseram-nos para visitar um arboreto local que cultiva orquídeas raras da Amazônia para venda, mas estava fechado. O aeroporto é muito pequeno, é basicamente um salão dividido em três partes: check-in, partida e chegada, e você caminha para a pista para embarcar no avião. Há uma pequena loja de presentes com artesanato local.




Restaurantes: O único restaurante visitado foi o incluído no traslado. Era uma refeição simples, mas honesta, servida em estilo buffet para saladas e acompanhamentos, e cortes de carne na hora, assadas em churrasqueira. Para a sobremesa, eles tinham uma das minhas marcas favoritas de sorvete, Frutos de Goiás, que fabrica picolés de frutas brasileiras como taperebá, cajá, jabuticaba, graviola e muitas outras. Você não pode sair de lá sem experimentar pelo menos uns dois deles!

Dinheiro: traga em espécie se você quiser dar uma gorjeta ao guia e aos funcionários do hotel, ou comprar lembranças. Embora existam bancos em Alta Floresta, você não vai querer ser um inconveniente para outros hóspedes no traslado ao pedir para o motorista fazer um desvio para te levar ao caixa eletrônico. O melhor é sacar no aeroporto antes de vir pra Alta Floresta.




Clima: Alta Floresta está na região amazônica, é sempre quente e úmido. Existem duas estações bem definidas: verão chuvoso (dezembro a abril) e inverno seco (junho a outubro). Durante o verão, não é tão quente à luz do dia, com uma média de 30° C e tão baixo quanto 22° C à noite. No inverno, os dias são mais secos, mas podem chegar a 34° C e ter boas noites frescas em torno de 15° C.

Melhor época para visitar: Qualquer época do ano garantirá uma experiência diferente e espetacular. Fiquei muito feliz com o período que fui. Tivemos uma chuva leve na tarde em que cheguei, mas dias claros e bonitos, todo o resto do tempo. Eu realmente queria ver o fenômeno das nuvens surgindo da copa das árvores e parte da floresta ainda inundada, então eu sabia que este era o mês certo para ir. A vegetação, os animais vistos e o fluxo do rio mudam com as estações, de modo que sempre há algo especial acontecendo. Se você está buscando uma concentração maior de pássaros, mais macacos, melhores chances de ver grandes mamíferos nas margens dos rios secos em busca de água, ou o fenômeno único que descrevi acima, vale a pena conferir a página de clima no site do lodge para obter os detalhes do que esperar e informações preciosas sobre os animais e plantas endêmicas dessa região. Lembre-se de que você está viajando para um território imprevisível de vida selvagem, ver animais é sempre uma vantagem, não uma garantia.




O que levar: Camisas de manga comprida, calças, sapatos fechados e de preferência de caminhada, protetor solar e chapéu, câmera e spray de insetos de longa duração são itens essenciais. A biblioteca deles está repleta de livros com temas ecológicos, em que você pode levar pro quarto para ler, mas é uma boa ideia trazer um para os momentos de espera entre as excursões da manhã e da tarde. Qualquer medicamento que você esteja tomando, além de alguns para alergias, caso você seja mais sensível a picadas de 'borrachudo', como eu sou.

Este hotel é ideal para: pequenos grupos, viagens em família de avós a netos, casais que amam a natureza, observadores de pássaros, profissionais de fotografia e entusiastas da natureza. Hóspedes que procuram uma opção superior na Amazônia. O hotel aceita crianças de todas as idades, no entanto, não há serviço de babá e esse tipo de viagem é recomendável para crianças acima de 7 anos de idade. Todos os visitantes devem estar com boa saúde e capazes de realizar atividades de esforço moderado.

Quanto tempo os hóspedes devem permanecer neste destino: pelo menos 3 noites, de preferência 4. Há muito que fazer e chegar lá leva um tempo.

Fiquei impressionado com o profundo respeito pelo meio ambiente na operação do hotel. A decisão de se tornar uma reserva privada (RPPN) é definitiva. Depois de solicitar o título que é para sempre, você poderá vender a terra, mas ela não poderá ser usada para outra coisa que não seja uma reserva natural. A Fundação Cristalino é mantida pela taxa de conservação que todos os hóspedes pagam no momento da reserva e pelos lucros do alojamento. Eles empregam força de trabalho local, utilizam práticas de gerenciamento sustentável e limitam o número de visitantes para não perturbar o ecossistema. Estamos lá para observar, não interferir. Isso é claro pelo número de animais que eu vi, eles atravessavam o lodge como se não estivéssemos lá e, nas trilhas, eles não se sentiram ameaçados por nós. A única coisa que eu não gostei foi dos 'borrachudos'! Mas isso é comum em muitas áreas do Brasil. Estes são mosquitos pequenos que não carregam nenhuma doença, mas causam uma reação alérgica instantânea que coça e incha, por isso, traga camisas e calças leves de manga comprida para as trilhas e repelente de insetos pra passar nas partes descobertas.

Blumar Brasil - Rua Siqueira Campos 43 - cob 02 | Copacabana | Rio de Janeiro | Brasil | 22031-901 | Tel: 55 21 3216-9201
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